A Volta ao Escritório
State of Data Brazil · Modelo de trabalho · 2021 a 2025/26

A volta ao escritório

Na pesquisa de 2021, 57% dos profissionais de dados empregados trabalhavam 100% remoto. Em 2025/26 são 40%. Hoje, 4 em cada 10 têm dias obrigatórios no escritório. Este relatório mostra onde essa volta aconteceu mais: nível, região, cargo, liderança, salário, setor, e também o que as pessoas dizem que fariam se o presencial virasse regra.

têm presença obrigatória (híbrido com dias fixos ou 100% presencial), 2021 → 2025/26

Em resumo

O avanço do presencial

O remoto encolheu, e quase todo o espaço perdido virou presença obrigatória

O 100% remoto caiu de 56,8% para 40,2%. O híbrido flexível, em que a pessoa escolhe quando vai ao escritório, ficou entre 19% e 26% em todas as edições. Quem cresceu foram os modelos com presença obrigatória: o híbrido com dias fixos dobrou (de 10,0% para 19,7%) e o 100% presencial foi de 14,0% para 20,8%.

Depois de ficar parado entre 2023 e 2024/25, o avanço voltou a acelerar em 2025/26. Outro dado: 10% de quem ainda trabalha 100% remoto é contratado por empresa estrangeira. Em 2021 eram 3,5%. Parte do remoto que resta depende de empregadores de fora do Brasil.

Senioridade

A volta chegou primeiro para os juniores

Em 2021, todos os níveis tinham entre 21% e 27% de presença obrigatória. Desde então, os níveis se separaram. Entre juniores, a presença obrigatória foi para 58,8%, e 36,9% trabalham 100% presencial. Plenos e gestores estão perto de 41% a 42%. Sênior (32,5%) e Especialista/Staff+ (27,4%) são os mais preservados: mais da metade deles segue 100% remota.

Uma leitura possível: quem tem mais experiência consegue negociar o próprio modelo, e as empresas preferem ter no escritório quem ainda está aprendendo. O nível Sênior, porém, também teve sua maior alta no último ano (de 23,1% para 32,5%).

Regiões

São Paulo puxa a volta; no resto do país, o remoto resiste

A pesquisa não pergunta a cidade, só o estado. Por isso, São Paulo, BH e Rio são representados aqui pelos estados SP, MG e RJ, e as capitais ficam misturadas com o interior.

São Paulo saiu de 55,0% para 32,8% de 100% remoto, a maior queda entre os grupos. O modelo que cresce lá é o híbrido: 51% de quem trabalha em SP está em algum formato híbrido. Em MG, RJ e nos demais estados, o remoto se mantém entre 43% e 46%, mas os demais estados têm a maior fatia de 100% presencial (26,9%). Fora dos três estados, o mercado está mais dividido: ou totalmente remoto, ou totalmente presencial.

Salário × modelo × senioridade

Em todo nível, o presencial é o modelo com menor salário

Dentro de cada nível, a mediana salarial de quem trabalha 100% presencial é a mais baixa: R$ 2,9k para Júnior (contra R$ 3,8k no remoto), R$ 8,6k para Sênior (contra R$ 12,4k) e R$ 14,1k para gestores (contra R$ 17,2k a R$ 20,3k nos outros modelos). Remoto e híbrido flexível pagam valores próximos, e o híbrido com dias fixos fica um pouco abaixo.

Comparando o remoto com os modelos de presença obrigatória, a vantagem salarial do remoto fica entre 19% e 24% em 2025/26 em todos os níveis. Em 2021 ela era maior para Sênior (44%) e gestores (50%). Isso não quer dizer que ir ao escritório reduz o salário: o presencial é mais comum no setor público, na indústria e fora de São Paulo, e esses fatores também afetam o salário. Para esta comparação, tirei quem trabalha para empresa estrangeira, que ganha em outra moeda e puxaria o remoto para cima.

Lideranças × contribuidores individuais

Líderes vão mais ao escritório, mas com mais flexibilidade

Gestores sempre foram menos remotos: 32,1% em 2025/26, contra 42,5% de quem não gerencia ninguém. Mas a parcela com presença obrigatória é parecida nos dois grupos (42,0% e 40,1%). A diferença está no híbrido flexível: 25,9% dos líderes podem escolher quando ir, contra 17,4% dos contribuidores individuais.

Especialidade

Engenheiros de dados continuam remotos; analistas estão voltando

A especialidade separa mais do que o nível. 62,4% dos engenheiros de dados seguem 100% remotos, e só 6,5% trabalham totalmente presencial. Entre analistas de dados, o remoto é 35,4%, e 46,9% têm presença obrigatória. Cientistas de dados ficam no meio (49,8% remotos).

Em todas as especialidades a presença obrigatória aumentou desde 2022. A maior alta foi entre Analytics Engineers (de 8,6% para 30,3%), um cargo que começou quase todo remoto. Engenharia de ML/IA é o cargo mais remoto (63,5%).

Ideal × real

1 em cada 5 trabalha 100% presencial; só 1,8% considera isso o ideal

Remoto e híbrido flexível empatam como modelo ideal (42,4% e 42,9%). O remoto que existe hoje (40,2%) está perto do que se quer. A falta está no híbrido flexível: 42,9% o querem, mas só 19,3% o têm. O desencontro contrário está no presencial: 20,8% trabalham assim, e 1,8% o consideram ideal.

No total, 49,0% trabalham no modelo que consideram ideal, contra 55,8% em 2022.

Se o presencial virar regra

72% dizem que procurariam outro emprego se a empresa exigisse 100% presencial

A pergunta é hipotética: "se sua empresa decidir pelo modelo 100% presencial, qual será sua atitude?". Em 2025/26, 71,7% dizem que procurariam outra vaga (28,6% do total só aceitariam uma vaga 100% remota). Entre quem já trabalha remoto, são 92,8%. O grupo mais disposto a sair é o Sênior (82,4%). Júnior (60,4%) e gestores (61,3%) são os que mais aceitariam voltar.

Isso é intenção declarada, não comportamento observado. Ainda assim, o percentual que aceitaria voltar mudou pouco de 2022 para cá (de 25% a 28%), mesmo com a volta acontecendo.

Satisfação

No presencial, só metade está satisfeita com a empresa

Em todas as edições, quem trabalha 100% presencial está menos satisfeito com a empresa: 53,6% em 2025/26, contra 74,4% no remoto e 75,4% no híbrido flexível. Esse grupo também é o que mais procura emprego (44,5%). Parte disso pode vir de outras características desses empregos, como salário menor.

O que mais diferencia a satisfação é trabalhar no modelo que a pessoa quer: 75,9% de satisfeitos entre quem está no seu modelo ideal, contra 62,5% entre quem não está.

Setor e porte da empresa

Bancos e varejo lideram a volta; o setor de tecnologia segue remoto

Em finanças e bancos, que é o setor com mais respondentes, a presença obrigatória foi de 24,3% para 42,6% desde 2022, e o remoto caiu de 59% (2021) para 32,5%. No varejo, ela praticamente dobrou só no último ano (de 24,3% para 42,4%). Setor público (77%) e indústria (58%) sempre foram presenciais. Tecnologia/software (21,4%) e consultoria (17,9%) seguem majoritariamente remotas.

Por porte da empresa, a maior mudança recente foi nas grandes: em empresas com mais de 3.000 funcionários, o 100% remoto caiu de 46,4% para 35,2% em um ano.

Gênero

Mulheres estão mais no remoto e menos no presencial

Em 2025/26, 45,2% das mulheres trabalham 100% remoto, contra 38,9% dos homens. No 100% presencial são 14,0% das mulheres e 22,6% dos homens. A diferença existe em todas as edições. Não dá para saber, com estes dados, se é escolha, se as mulheres estão em cargos mais remotos, ou os dois.

Metodologia

Como os números foram calculados

Fonte: datasets públicos da Data Hackers no Kaggle: state-of-data-2021, state-of-data-2022, state-of-data-brazil-2023, state-of-data-brazil-20242025, state-of-data-brazil-2025-2026. Os nomes das colunas estão mapeados em mapping/schema_map.yaml.